...Aló Irmao...
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...No material de vocês seu encontro é descrito de maneira bastante simples, porém como algo mágico, vocês podem contar mais detalhadamente sobre este encontro e sobre os contatos que se seguiram? A idéia inicial foi mantida até o show ou o formato mudou ao longo do caminho?

NARF – Num primeiro momento foi uma das produtoras da Nordesía, Isabel Vilaseco, que me propôs ligar para Manecas para convidá-lo a fazermos um único show juntos. Eu não estava muito certo de que Manecas fosse aceitar, mas ela me convenceu a telefonar para ele. Nesta altura não se tinha em mente criar repertório novo, apenas combinar as nossas músicas num show. Só que eu pensava que tocar com Manecas Costa, a quem admiro muitíssimo, era uma oportunidade de ouro para tentar compôr música original. Liguei para ele e sua resposta foi imediatamente a favor. Nesse primeiro telefonema falamos de tocar juntos, e de combinar uma reunião na estação ferroviária de Benfica, em Lisboa, onde Manecas mora, e onde eu estava por alguns dias. Fiquei muito feliz com a resposta de Manecas, e graças à alegria com que ele respondeu é que decidi desafiá-lo para compôr um repertório novo, os dois juntos. Este foi o momento da estação, quando nos encontramos. O que eu tinha era a idéia de fazer uma canção, onde se pergunta "Aló irmao, onde é que nos vamos encontrar?" Cantei o bocadinho que tinha e Manecas respondeu cantando, improvisando uma melodia ali mesmo. Nesse momento é que realmente nasceu Aló Irmao, porque foi a magia dessa situação que nos animou a continuar por esse caminho e realmente compôr um bom número de canções, convertendo o nosso encontro em algo mais que uma coisa de um só día. Despois, tudo aconteceu de forma natural. Eu em Santiago, ele em Lisboa e as idéias viajando em mp3 por e-mail, foram nascendo as canções, e o espetáculo tomou forma através delas.

MANECAS – Bem, o meu colega disse tudo, na realidade seguimos com a mesma força e esperamos que o projeto venha ter a sorte de poder estar nas prateleiras internacionais e principalmente no mercado brasileiro.

...Com formações musicais tão distintas houve algum momento em que determinadas idéias não foram apresentadas por acharem que não fazia parte da proposta?

NARF – Não, acho que o interessante deste encontro foi que ambos percebemos imediatamente que o segredo era trabalhar com o que temos de diferente para falar do que temos em comum, é essa a chave para que a música seja original. Creio que nenhum dos dois deixamos de utilizar as nossas respectivas personalidades musicais para provocar um resultado no meio da distância entre ambos. É claro que ambos tínhamos uma predisposição. De um lado, Manecas é um artista extremamente curioso e aberto a novas idéias, além de ter percorrido o mundo com suas músicas, tendo até gravado um disco com a BBC e coisas do género. Por isso, tem uma grande experiência de vida e com arte. De minha parte, sou um incansável viajante em busca da natureza. Há dez anos viajo a Moçambique, entre outros lugares, mantendo encontros criativos e compondo com músicos de lá. De fato o artista convidado do nosso disco, Celso Mahuaie, que intervém em algumas músicas com coros e percussões, é um membro dos Timbila Muzimba, de Maputo, com quem eu já havia trabalhado muitas vezes.

MANECAS – Acho que não, pois a música não tem fronteiras. O lado positivo do projeto Aló Irmao é a simplicidade musical que nós criamos em conjunto. Por exemplo, no meu caso estou divulgando um instrumento tradicional da Guiné-Bissau chamado Tina (tambor de água). Este instrumento está para nós como o pandeiro está para um brasileiro e sua força tem mostrado que encaixa em qualquer ritmo, para mim é um orgulho poder tocar e mostrar a magia que este instrumento provoca nas pessoas.

...Há planos para um novo disco, um disco de estúdio?

MANECAS – Neste momento ainda não temos nada planejado mas existe uma expectactiva enorme com o disco e DVD gravados ao vivo, em Santiago de Compostela, e esperamos que seja um sucesso mundial.

...Qual é a expectativa de vocês para o show no Mercado? Conhecem a Bahia? O que esperam encontrar por aqui?

MANECAS – Para mim será um sonho, porque sempre quis conhecer a Bahia. Esperamos encontrar músicos e públicos simpáticos, o que já é normal nos brasileiros, a simpatia e a hospitalidade. Quanto ao nosso concerto, promete ser uma novidade com certeza! Tudo indica que viajaremos à Guiné-Bissau e à Galícia durante uma hora de show, só no fim regressaremos à Bahia. Espero que seja uma viagem agradavél, ao som dos nossos ritmos quentes.

NARF – Creio que a língua que nos une (o galego tem a mesma origem histórica que o português, ambos são filhos do galego-português medieval) é um tesouro que nos permitirá fazer esa viagem. Eu acredito na irmandade dos povos, existe uma nação imaginária, que não tem fronteiras físicas, a que pertencem pessoas do mundo inteiro. Creio que ambos sentimos uma grande proximidade afetiva para com o Brasil. As músicas que falmn da Bahia, que são muitas e bastante famosas, são as embaixadoras perfeitas dum lugar que sem dúvida é uma das capitais mundiais desse país imaginário do qual falei. De algum jeito, foi através delas que eu já estive aí, pelo menos nos meus sonhos (ah, Bahía, Bahía que non me sae do pensamento...).

...Muito obrigado e até o Mercado!  
 
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